Já estão identificados os finalistas da Edição 2025 do Global Teacher Prize Portugal.
Fique a conhecer as suas histórias, projetos e práticas inspiradoras.

ALFREDO JOSÉ ROSA GOMES
Agrupamento de Escolas Manuel Teixeira Gomes, Portimão
Professor de Português e Teatro/Expressão Dramática, o professor Alfredo Gomes dedica-se, há mais de três décadas, a transformar a escola num palco de expressão, inclusão e crescimento. É fundador do Teatro da Caverna, grupo escolar que se tornou uma referência em Portimão e por onde já passaram centenas de alunos.
Com formação em Línguas e Literaturas Modernas e mestrado em Teatro e Intervenção Social e Cultural, alia exigência e empatia, promovendo um ensino artístico onde todos têm lugar. As suas aulas são espaços de autenticidade, onde errar faz parte do processo e a confiança é a base do trabalho. Ao longo dos anos, desenvolveu metodologias que valorizam a expressão, a colaboração e o desenvolvimento de competências transversais.
O Teatro da Caverna apresenta anualmente espetáculos à comunidade, dentro e fora da escola, com forte adesão do público. Para além disso, dado que trabalham com textos e autores que fazem parte dos currículos da disciplina de Português, os trabalhos funcionam como materiais didático-pedagógicos para outros professores. Muitos dos seus alunos seguiram estudos em teatro e cinema, mas o principal objetivo é formar pessoas, transmitir-lhes valores e levá-los a adquirirem um conjunto de competências transversais a várias disciplinas que lhes fiquem para a vida. Nunca selecionaram alunos e trabalharam sempre com todos os que manifestaram interesse no projeto.
Distinguido com medalhas de mérito e presença regular nos media locais, sonha agora renovar o palco da escola: pretende investir o prémio em equipamento de luz e som, na melhoria dos bastidores e na criação de um xadrez gigante ao ar livre, promovendo a permanência e o convívio no espaço escolar.
Para o professor Alfredo, a escola é na sua essência uma preparação para a vida e o papel do professor também passa por desenvolver, no aluno, competências que lhe permitam transformar a informação em conhecimento e, posteriormente, em sabedoria.
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ANA MARGARIDA ESTRADA MARTINS
Agrupamento de Escolas Fernão do Pó, Bombarral
Professora de Educação Física, Ana Margarida Martins acredita que o movimento é uma chave para a inclusão, a motivação e o sucesso escolar. Com um percurso marcado pela inovação e pela entrega, tem promovido o bem-estar e o desenvolvimento integral dos alunos.
Com formação em Ciências do Desporto e Educação Física, mestrado em Exercício e Saúde, e pós-graduações em Educação Especial e Intervenção em Trauma, alia o conhecimento académico a uma forte ação no terreno. A sua abordagem pedagógica assenta na criação de experiências significativas que motivem os alunos a aprender com o corpo, através de práticas inovadoras que aliam movimento, desafio e inclusão.
Criou o projeto de desporto escolar Sobre Rodas que abrange todos os ciclos de ensino e inclui atividades como gincanas, Ori-BTT e percursos BTT dentro e fora do espaço escolar, adaptados a diferentes níveis e condições físicas. O projeto duplicou o número de alunos envolvidos e tem sido uma alavanca de integração e autoestima, sobretudo entre os alunos com mais dificuldades. Tem acompanhado casos de alunos com grandes bloqueios e frustrações, que superaram desafios graças a estratégias adaptadas e à confiança construída ao longo do tempo.
A sua proposta pedagógica vai mais longe: quer criar uma sala de apoio à Educação Física – uma “central de energia” onde se cruzam movimento, tecnologia e aprendizagem. Uma sala equipada com ferramentas e recursos inovadores que permitem o desenvolvimento das competências motoras dos alunos e a promoção da inclusão.
O seu trabalho é reconhecido pelos alunos, colegas e comunidade. Para além da escola, a professora Ana é bombeira voluntária, dinamizadora de workshops de saúde e bem-estar e docente no ensino superior onde partilha uma visão inclusiva da educação.
Se vencer o prémio, planeia concretizar o projeto da sala interativa, renovar e expandir os recursos do Sobre Rodas e investir na formação de professores, promovendo uma escola onde todos possam aprender em movimento.

CÂNDIDA MANUELA FIDALGO SARABANDO
Escola Básica e Secundária Gomes Teixeira, Armamar
Professora de Física e Química numa escola do interior, Cândida Sarabando tem promovido práticas educativas que cruzam a ciência com a cidadania, o currículo com a realidade e a escola com o mundo. O seu trabalho é guiado pelos princípios do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, focando no pensamento crítico, na colaboração, na criatividade e no sentido de responsabilidade. A sala de aula é um espaço dinâmico e seguro, onde errar é parte do processo e refletir é tão importante como acertar.
Licenciada em Engenharia Química, com mestrado em Ensino de Física e Química e doutoramento em Didática das Ciências, é cofundadora e coordenadora do GOMA e da ONG ARMA-Sci, ambos com o objetivo de promover a educação em ciências em contextos rurais e aproximar a ciência das comunidades e das realidades locais. Bioblitz por Armamar e a Noite Europeia dos Investigadores, são algumas das iniciativas que integram ciência, cidadania, arte e território e que dão protagonismo aos alunos como investigadores, comunicadores e agentes de mudança.
A sua influência estende-se a colegas e instituições, com práticas partilhadas em formações, publicações científicas e congressos internacionais. O reconhecimento surge de diversas formas, dentro e fora da escola, através da participação de centenas de pessoas nas diferentes iniciativas e articulação de parcerias com diferentes instituições.
Se vencer o prémio, tenciona expandir o plano Ciência em Movimento, um projeto que visa democratizar o acesso à literacia científica e tecnológica em contextos rurais e adquirir uma unidade móvel para levar ciência a escolas e instituições sem laboratórios. Ainda, reforçar o GOMA com novos equipamentos e investir na formação de professores.
Recusa acreditar que os desafios da interioridade limitam o acesso a experiências científicas, culturais e que o contexto geográfico condiciona os sonhos dos seus alunos. Para a professora Cândida, a escola é o motor do território.

CARLA ALEXANDRA SOARES RODRIGUES MAIA
Escola EB1/JI Maia 1, Agrupamento de Escolas Gonçalo Mendes da Maia
Professora do 1.º Ciclo, Carla Maia é criadora de experiências de aprendizagem inovadoras, onde a literatura, a tecnologia e a interdisciplinaridade se cruzam para transformar a forma como as crianças aprendem. É membro do projeto SUPERTABi e possui um mestrado em Educação – Tecnologias Educativas. Aposta numa prática pedagógica centrada no aluno, inspirada no modelo Explore First, validado na sua investigação académica.
Na sua abordagem, as obras literárias são o ponto de partida para projetos onde as crianças constroem narrativas, programam, medem, exploram, desenham e criam, em articulação com os conteúdos curriculares. Cada livro torna-se um portal para a aprendizagem ativa, onde as disciplinas se interligam de forma natural e significativa. Projetos como Onde Para a Felicidade? A Menina Gotinha de Água ou A Europa à Distância de um Jogo mostram como a literatura pode unir matemática, estudo do meio, educação artística, cidadania e pensamento computacional.
Na sala de aula, os alunos ocupam um lugar central: aprendem em colaboração, organizam grupos de trabalho, tomam decisões e tornam-se peças fundamentais do processo educativo. Desenvolvem autonomia, criatividade, pensamento crítico e espírito de entreajuda. A inclusão está presente em todas as práticas, com estratégias e tecnologias adaptadas às necessidades de cada criança.
É formadora acreditada, oradora em encontros pedagógicos e autora de práticas abertas que inspiram comunidades escolares de norte a sul do país. Como Co-Leader do GEG SUPERTABi Portugal, dinamiza encontros e oficinas que promovem uma cultura de inovação, colaboração e reflexão pedagógica.
Se vencer o prémio, pretende criar o Ambiente 360° – Laboratório de Aprendizagem Ativa, um ecossistema inovador que une tecnologia, natureza e imaginação. Um espaço flexível e inclusivo, com zonas ao ar livre, estúdio de gravação, realidade virtual e jardim sensorial.
A professora Carla acredita que a educação tem o poder de transformar vidas – e, todos os dias, entra na sala de aula com a certeza de que também está a transformar a sua.

CRISTINA MARIA MARTINS DA SILVA FIGUEIREDO JANICAS
Escola Secundária José Falcão, Coimbra
Professora de Filosofia, desde 1988, Cristina Janicas transforma a sala de aula num espaço de criação, reflexão e humanidade. Acredita que ensinar Filosofia é cultivar a consciência crítica e desafiar os alunos a pensar criticamente — não só com a razão, mas também com o corpo, a voz e a arte. Para a professora, a Filosofia encontrou nas Artes um território afim — ambas questionam, inquietam e abrem possibilidades.
Com formação em Filosofia e mestrado em Estudos Artísticos, alia as Humanidades às Artes Performativas e ao Cinema, dinamizando projetos interdisciplinares que promovem o pensamento crítico. Coordena o Plano Nacional de Cinema e o Plano Cultural de Escola, onde integra a Estética e os Direitos Humanos. Trabalhos como a exposição Ouve-me, baseada na obra de Helena Almeida, ou projetos de Cinema-Filosofia mostram como a pedagogia pode ser simultaneamente rigorosa e transformadora. As aulas tornam-se, muitas vezes, ensaios, experiências e partilhas de vida — com os alunos como protagonistas do seu próprio processo de descoberta.
Os seus alunos ganham voz através de uma motivação que é renovada, são mais autónomos e com vontade de intervir no mundo. A participação oral nas aulas aumentou significativamente, especialmente entre alunos mais tímidos ou com dificuldades em expressar-se em contextos tradicionais.
Se vencer, usará o prémio no desenvolvimento de novos projetos pedagógicos interdisciplinares que permitam o diálogo da Filosofia com as Artes, na criação de espaços de aprendizagem questionadores, utilizando recursos digitais e artísticos, na sua formação contínua e dos colegas e na organização de eventos culturais e artísticos dentro da escola.
Reconhecida por diferentes membros da comunidade educativa, assume ter descoberto que as Artes e a sala de aula têm muito em comum: ambas exigem presença, escuta, disponibilidade e entrega, pois não se ensina, nem se representa, sem verdade.

ISABEL MARIA LAGARTO DE BRITO
Associação Arco Maior, Porto
A professora Isabel Brito é uma das fundadoras e atual coordenadora do Arco Maior, uma escola onde jovens em abandono escolar encontram novas oportunidades de aprendizagem e vida. Acredita que o ensino começa com a escuta e que ninguém deve ficar para trás.
Desde 2013, já integrou mais de 550 jovens em risco de exclusão, com percursos marcados por insucesso, negligência ou violência. No Arco Maior, cada aluno tem um plano individual, com projetos interdisciplinares, rotinas ajustadas e uma pedagogia centrada na relação e no cuidado.
O impacto do seu trabalho vê-se nos resultados: aprovação nos exames de METEP, jovens surdos com boas notas em Geometria Descritiva, alunos que se tornaram arquitetos ou técnicos especializados após anos de afastamento da escola. No Arco Maior, a aprendizagem acontece com base na confiança e no vínculo. O seu maior contributo tem sido criar ambientes inclusivos, ajustando práticas às necessidades dos jovens, recorrendo a metodologias ativas, tecnologia e abordagens criativas.
Para a criação do Arco Maior, ouviu dezenas de jovens de bairros sociais, com histórias marcadas por negligência, violência, institucionalização e insucesso escolar. Nenhum projeto existente os integrava. Depois de muito diálogo e dedicação, o Ministério da Educação aprovou a proposta e o Arco Maior abriu portas. Hoje, existem quatro polos ativos, três para o 3.º ciclo e um para o ensino secundário, com 107 jovens atualmente integrados.
A sua prática é continuamente reconhecida pela comunidade educativa como uma força mobilizadora, capaz de criar oportunidades, restaurar dignidade e devolver esperança. Se vencer o prémio, quer investir na expansão do projeto Arco Serve, uma dinâmica pedagógica integrada no Arco Maior, que funciona como “empresa pedagógica” onde os jovens prestam serviços reais nas áreas da restauração e do apoio a eventos, desenvolvendo competências fundamentais para a vida e para o emprego. A aquisição de uma carrinha para apoiar a mobilidade deste projeto também é uma prioridade.
Para a professora Isabel, primeiro, devemos ajudar o aluno a ser feliz; depois, o sucesso escolar acontece naturalmente.

JOANA ISABEL DE PAULO DUARTE
Agrupamento de Escolas de Fornos de Algodres, Fornos de Algodres
Professora de Matemática e Programação no interior do país, Joana Duarte acredita no poder transformador da educação enquanto ferramenta de desenvolvimento pessoal, social e cívico. Vê o ensino como um compromisso com o futuro, com a inclusão e com a justiça social. O seu propósito: transformar experiências educativas para uma escola mais equitativa e motivadora.
Com formação sólida e vasta experiência como formadora, dinamizadora de projetos Erasmus+ e docente no ensino superior, é reconhecida pela sua capacidade de inovar com recursos digitais e metodologias ativas. As suas aulas envolvem robôs, jogos, programação e até escape rooms educativos — sempre com foco no pensamento crítico e na autonomia dos alunos. Tem pautado a sua prática por uma abordagem inclusiva, adaptada à diversidade, acreditando que cada aluno, independentemente do seu ponto de partida ou necessidade específica, merece oportunidades para brilhar e sentir-se realizado.
Os resultados falam por si: taxas de sucesso elevadas nas disciplinas de TIC e Programação, MACS e módulos de cursos profissionais no Secundário, melhoria clara na assiduidade e comportamento dos alunos, especialmente entre os que demonstravam dificuldades de integração ou desmotivação. Prémios nacionais e internacionais em concursos como o Bebras e o INE, e projetos que envolvem todos os ciclos, inclusive alunos com necessidades educativas especiais.
Reconhecida por diferentes membros da comunidade educativa e entidades externas, colabora ainda com a DGE e coordena formações para professores, promovendo a replicação das suas práticas.
Se vencer o prémio, quer criar uma sala Snoezelen, adquirir recursos tecnológicos e manipuláveis mais diversificados e atualizados, adequados a todos os ciclos de ensino e investir numa Sala do Futuro para o pré-escolar e 1.º ciclo, com tecnologia adaptada e robótica educativa.

JOSÉ HERMÍNIO CARDOSO MENESES BEATO DE OLIVEIRA
Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, Leiria
Começou por ensinar aos colegas tudo aquilo que os professores não lhes conseguiam explicar. Já no ensino, começou por acidente. Intitula-se professor de tudo aquilo que sabe e que conduz ao desenvolvimento dos jovens com quem trabalha. José Oliveira é conhecido por transformar salas de aula em verdadeiros laboratórios de criação. Defensor de uma educação multidimensional, integral e abrangente, conta com um percurso pedagógico marcado pela inovação. A ordem dos conteúdos é simples: do concreto e tangível para o abstrato, do simples para o complexo, do mais fácil para o mais difícil.
Criador de oficinas de serigrafia, estúdios de fotografia, clubes de design e espaços de educação digital em diversas escolas do país, é através do projeto Ver Para Aprender que desafia os alunos de Geometria Descritiva a superar os limites do programa, inventando exercícios, colaborando entre si e explicando aos colegas como forma de consolidar o conhecimento.
Os resultados falam por si: alunos que se destacam em exames nacionais, turmas com médias superiores às disciplinas mais populares, trabalhos de nível universitário no ensino secundário e um envolvimento raro em disciplinas tradicionalmente exigentes. Nas suas aulas, cada aluno tem um plano ajustado ao seu ritmo e potencial, e todos são convidados a ser protagonistas da aprendizagem.
Se vencer o prémio, José quer investir em tecnologia para democratizar o acesso a ferramentas digitais nas artes — como tablets, óculos de realidade aumentada e equipamentos audiovisuais — permitindo que mais alunos explorem novas linguagens e formas de pensar.
Para o professor José, a utopia é cada jovem ser hoje um pouco melhor do que foi ontem e amanhã um pouco melhor que é hoje; o que mais interessa é a competição que cada um estabelece consigo mesmo e a capacidade de, nesse processo, ajudar também os que o rodeiam a evoluir.

NÁDIA SOFIA FIGUEIREDO BASTOS
EB do Marco – Agrupamento de Escolas António Sérgio, Vila Nova de Gaia
Nádia Bastos é professora do 1.º Ciclo e a sua história de superação pessoal moldou uma prática pedagógica profundamente humana e inclusiva. Adota metodologias inovadoras que colocam os alunos no centro da aprendizagem, promovendo competências essenciais para o futuro. Aposta no ensino colaborativo, na investigação, no ensino experimental e no aprender a brincar, recorrendo também aos conhecimentos de neurociências para tornar a aprendizagem mais efetiva e significativa. Cada prática é selecionada tendo em conta o perfil individual do aluno e a dinâmica do grupo, privilegiando métodos que potenciem o pensamento crítico, a criatividade e as soft skills fundamentais para todas as profissões.
Quando se apercebeu que vários alunos não valorizavam os conteúdos, nem tinham objetivos para o futuro, desenvolveu o projeto UNIVERSOS que promove uma abordagem multidisciplinar e liga aprendizagens essenciais a saídas profissionais. Inclui visitas de Faculdades à sala de aula e visitas de alunos às Faculdades, workshops e atividades práticas que integram carreiras STEAM, lançando desafios que mobilizam os conteúdos do currículo de forma prática. A colaboração entre turmas e a articulação entre professores garantem um ambiente de partilha e investigação contínua.
100% dos participantes demonstraram ambição em continuar os estudos, as notas negativas reduziram significativamente. Alunos com fobia escolar passaram a adorar a escola, outros que aprenderam a ler depois de anos de bloqueio e ainda um aumento claro na motivação, competências e autoestima. Os seus projetos têm vencido prémios nacionais e internacionais, com destaque para concursos de escrita, poesia, ciência e cidadania. Atualmente, o UNIVERSOS está a ser implementado em várias escolas no Porto, já foi divulgado numa conferência internacional e as boas práticas da professora continuam a ser partilhadas em projetos ERASMUS+.
Se vencer o prémio, quer investir na formação contínua de professores, criar salas de aula flexíveis, expandir o UNIVERSOS a mais escolas e aprofundar a articulação com universidades e centros culturais.
A professora Nádia é reconhecida por “ter um acreditar que faz mexer as coisas”. Para a professora Nádia, o sucesso é a poesia que cada criança escreve no seu percurso de vida.

SANDRA MARIA DE SOUSA CAMPELOS
Colégio Internato Claret, Vila Nova de Gaia
Professora de Matemática, Sandra Campelos utiliza uma prática educativa que assenta numa visão ampla da cultura, onde a Matemática é entendida como linguagem universal, forma de expressão e ferramenta de compreensão do mundo. Acredita que o ensino deve ser inclusivo, criativo e acessível a todos.
Foi pioneira, em Portugal, na criação de manuais e auxiliares de estudo com imagens reais e exercícios organizados por níveis de dificuldade — uma abordagem diferenciadora que aproxima a Matemática da vida real e permite chegar a todos os alunos, independentemente do seu ponto de partida.
Tem acompanhado jovens que iniciaram o seu percurso com graves problemas e desmotivação. Com práticas pedagógicas ajustadas, respeito pelo ritmo de cada um e foco no reforço positivo, foi testemunhando mudanças significativas, mesmo em alunos com necessidades educativas especiais – muitos redescobriram o sentido e a utilidade da escola e da Matemática, desenvolveram confiança e competências, o que influenciou o seu percurso académico/profissional.
Sandra é também autora de livros didáticos, colaboradora em projetos de investigação e oradora em conferências nacionais e internacionais. Dinamiza atividades interdisciplinares, com outros professores, trabalha num regime de co docência e de tutoria de pares, desconstruindo o conceito de turma e trabalhando numa lógica inclusiva, baseada na diferenciação positiva. Criou o canal Eu Amo Matemática, onde partilha aulas, vídeos e materiais de acesso livre.
Se vencer o prémio, quer lançar o projeto GlobalMathTeaching – Boatemática para o Futuro, criando materiais didáticos/digitais de acesso gratuito para crianças e jovens de meios desfavorecidos, com necessidades educativas especiais, institucionalizadas ou com acesso escolar comprometido, por dificuldades de diferentes ordens, a nível nacional/internacional (nos PALOP) promovendo a literacia matemática/estatística e estabelecendo parcerias com ONGs e universidades que estão a formar professores.
A professora Sandra vê o ensino como uma missão – potenciar vidas com sentido, e a Matemática como uma forma de intervenção cultural.
